Exclusivo! Entrevista Inédita com um dos Principais Militares da Operação Prato!

Prezados pesquisadores,

No final dos anos 70, principalmente em 1977 e 1978, quando insólitos fenômenos luminosos surgiram nos céus de pequenas localidades brasileiras, especialmente nos estados do Maranhão e Pará e a eles foram atribuídos supostos ataques através de feixes de luz disparados contra alguns habitantes dessas regiões, causando-lhes danos físicos e emocionais, coube aos militares brasileiros a incumbência de investigar a origem desses estranhos acontecimentos.

Embora a equipe do site WWW.OPERACAOPRATO.COM já tenha comprovado através de documentos de que o interesse militar tenha começado bem antes do que se pensava (ver matéria aqui), uma providência mais efetiva só foi tomada quando um pequeno grupo de militares da Aeronáutica, mais precisamente da Seção de Informações (A2) do I Comar, saiu de Belém no dia 20/10/1977 com destino a Santo Antônio do Tauá no Pará, dando início ali a célebre ”Operação Prato”.

Através dos documentos hoje disponíveis, sabemos que a missão militar foi dividida em dois períodos. O primeiro, conhecido como “1ª Missão” transcorreu entre os dias 20/10/1977 e 11/11/1977. Já o segundo período conhecido como “2ª Missão” ocorreu entre 25/11/1977 e 05/12/1977. Sabemos também que, após o encerramento oficial da Operação Prato, alguns militares, como o Cap. Uyrangê Hollanda e, especialmente, o Sgt João Flávio de Freitas Costa, prosseguiram na investigação de forma autônoma, porém, ainda produzindo relatórios, até pelo menos o ano de 1979.

Apesar de boa parte da documentação produzida por nossos militares ser hoje conhecida, sempre se careceu do testemunho vivo daqueles que efetivamente participaram da extraordinária missão, ficando restrita praticamente ao histórico depoimento do então Cel. Uyrangê Hollanda em 1997.

A equipe do site WWW.OPERACAOPRATO.COM conseguiu recentemente e de forma inédita, entrevistas com os médicos militares Dr. Pedro Ernesto Póvoa (ver matéria aqui) e Dr. Isaac Benchimol (ver matéria aqui), entretanto, a participação de ambos na missão, apesar de importante, foi extremamente breve.

Portanto, mesmo após decorridos mais de quarenta anos, ter o testemunho de um militar convocado para integrar a equipe da Operação Prato e que efetivamente investigou os ainda inexplicáveis fenômenos, sempre foi o desejo de muitos estudiosos que ainda tentam decifrar a origem de tais eventos.

Felizmente a espera terminou!

A equipe do WWW.OPERACAOPRATO.COM localizou e obteve uma entrevista inédita com um dos militares que integrou a equipe que deu início a Operação Prato.

Trata-se do, atualmente, Suboficial Moacir Neves de Almeida, identificado a seguir:

Nome: Moacir Neves de Almeida

Idade durante a OP: 34 anos

Idade atual: 75 anos (a completar)

Patente na época da OP: Segundo Sargento

Patente atual: Suboficial da Reserva (SO QSS BMA RF)

Especialidade: MA (Mecânico de aeronaves).

Foto gentilmente cedida pelo SO Moacir Neves de Almeida

A ENTREVISTA

Suboficial Almeida, o que motivou a Operação Prato?

Almeida: Foi os reclames da comunidade, que estava sendo visitada por uma série de objetos voadores não identificados, e isso gerou uma temeridade muito grande por parte da comunidade.

Quais eram os objetivos da Operação Prato?

Almeida: Era justamente atender aos reclames da comunidade.

O senhor soube que em 1977 também houve diversos relatos de avistamentos de OVNIs no Maranhão?

Almeida: Eu tive conhecimento.

Suboficial Almeida, durante a missão, os senhores estiveram restritos às localidades no Pará, ou se deslocaram também até o Maranhão? Caso negativo, tem conhecimento de alguma investigação oficial naquele estado?

Almeida: Não, eu não tenho nenhum conhecimento a respeito de outro estado (investigação). Eu participei somente no Pará, mais precisamente, em Colares.

E como o senhor foi escolhido para participar da operação?

Almeida: Antes de ser determinada essa operação, eu fui convidado pelo na época 1° Sgt Flávio, a participar do efetivo da 2ª Seção (Seção de Inteligência) do I COMAR.

E qual foi a sua função na operação?

Almeida: Era para… além da observação dos efeitos da época, (dos efeitos) das aparições, (também) a entrevista com as pessoas que se declararam (como tendo sido) observadas, e até mesmo contatadas por esses “seres”, por essas “naves”, e (então) chegar a um denominador comum, para ver a veracidade das queixas e dos relatos até então obtidos.

Por quanto tempo o senhor atuou na operação?

Almeida: Eu não me lembro exatamente o período, mas foi principalmente (a partir do) final de novembro, até mais ou menos 18 de dezembro de 1977.

O senhor usou algum codinome?

Almeida: Usei, na época era “Luciano Gomes”.

Quantos militares participaram da operação?

Almeida: Quatro, quatro militares.

Quais eram?

Almeida: O nome de todos eu não recordo, mas era o Flávio, que era o coordenador da equipe, mais dois elementos da seção (2ª Seção), incluindo a minha pessoa.

Quem comandou as equipes em campo durante a operação?

Almeida: O Coronel, na época Tenente-Coronel Camillo. Ele comandou diretamente, e recebia todos os relatos escritos e verbais, toda vez que a equipe regressava a Belém para fazê-lo.

Os senhores tiveram alguma colaboração da Marinha?

Almeida: Que eu tenha conhecimento, não.

O senhor dispõe de quaisquer relatórios, gravações ou fotografias feitas durante a Operação Prato?

Almeida: Não, não tenho.

O senhor viu alguma “luz” que julgasse não explicável durante a missão? Poderia descrever aquela que mais lhe chamou a atenção?

Almeida: Várias (“luzes”), apesar de que todas elas eram parecidas, ou talvez até idênticas. Era uma “luz”, (que) quando ela estava mais próxima, dava perfeitamente pra se perceber que ela tinha um formato de um “prato”. (De) algumas delas, saíam luzes menores e, (em relação a) algumas (outras), elas se apresentavam e, logo depois sumiam, com uma velocidade que não dá pra ser explicada nem calculada.

Suboficial Almeida, o senhor viu algo além da luminosidade dos supostos objetos? Alguma forma ou algum objeto metálico? Caso positivo, poderia descrevê-lo detalhadamente?

Almeida: Não, esse fato eu não visualizei.

Caso tenha observado alguma luz ou objeto inexplicável, nesse momento, o senhor ou algum membro da equipe observou algum som emitido pelo objeto?

Almeida: Não, eu não presenciei isso.

Suboficial Almeida, foi percebida outra sensação, como cheiro ou efeito físico, ou psíquico, que de alguma forma tenha lhe chamado a atenção?

Almeida: Não. Pelo menos na equipe, não.

Após o encerramento da Operação Prato, o senhor notou alguma mudança em relação a sua saúde, ou sua capacidade física, ou intelectual?

Almeida: Absolutamente nenhuma.

O senhor ou alguém da sua equipe chegou a ver alguém com aparência humana ou não humana, que pudesse estar ligado ao fenômeno luminoso?

Almeida: Não tenho conhecimento; eu acredito que não.

O senhor possui conhecimento sobre se militares ou agentes de inteligência de outros países estavam no território brasileiro investigando o mesmo fenômeno?

Almeida: Desconheço.

Suboficial Almeida, durante a Operação Prato, os senhores dispunham de algum tipo de radar, que pudesse detectar a localização das luzes ou objetos?

Almeida: Não, a localização era visual.

E o senhor se recorda de algum outro equipamento que utilizavam?

Almeida: Só máquinas fotográficas com teleobjetivas.

Também era possível filmar?

Almeida: Não. Na época, nós não tínhamos filmadora, só teleobjetivas de máquinas fotográficas.

Suboficial Almeida, o senhor chegou a assistir aos vídeos produzidos durante a missão? Esses vídeos conseguiram registrar nitidamente os objetos ou a luminosidade, ou ruídos?

Almeida: Não, eu não vi nenhum desses vídeos.

E com relação às fotos, elas mostravam o que realmente os senhores conseguiam ver?

Almeida: Exatamente, exatamente… retratava com fidelidade o que nós víamos, porém com maiores detalhes, por causa da teleobjetiva.

Em sua opinião, esses objetos luminosos poderiam ser alguma aeronave ou artefato de outro país, invadindo e realizando testes no espaço aéreo brasileiro?

Almeida: Eu acredito que não. Eu acredito que sejam naves de outros planetas, de outra dimensão.

O senhor pontua alguma característica que faz o senhor acreditar nessa hipótese?

Almeida: Não. A única característica, ou o que me leva a pensar dessa forma, é que seria muita pretensão nossa achar que somos os únicos a habitar o Universo.

Em sua opinião, os objetos faziam alguma manobra arriscada demais, ou impossível, ou eles eram de uma forma aerodinâmica que ainda não era conhecida?

Almeida: Olha,… o comportamento deles, as manobras, a velocidade, elas fogem das nossas concepções técnicas, principalmente na época.

Suboficial Almeida, foi utilizado pelos militares algum tipo de aeronave durante a missão?

Almeida: Não. Dessa missão que eu participei, não houve nada disso.

O senhor saberia explicar por que não foram utilizadas aeronaves pela Força Aérea Brasileira durante a execução da Operação Prato, de forma a interceptar essas “luzes”?

Almeida: Não, eu não saberia responder a essa pergunta. Foge à minha situação na época principalmente.

E a equipe militar chegou a levar armas para a execução da operação?

Almeida: Não.

Armamento de nenhum tipo?

Almeida: Não. A ordem não era (para) o confronto, e sim a observação.

A equipe da Aeronáutica recebeu ordens para registrar as manifestações do fenômeno ou deveria confrontá-lo?

Almeida: Era só observar e nada de confronto.

O que o senhor viu de mais impressionante?

Almeida: O medo generalizado que gerou na comunidade.

Durante o contato com as pessoas que se diziam atingidas por um “feixe luminoso”, o senhor viu algum ferimento nessas pessoas?

Almeida: Não, na época eu não constatei ferimento nenhum.

Mas chegou a entrevistar alguma pessoa que se disse atacada?

Almeida: Várias.

E elas mostravam algum tipo de marca?

Almeida: Não. Na época, não.

Qual era a impressão que a equipe teve dessas pessoas?

Almeida: Segundo o depoimento na época de uma médica (provavelmente a Dra. Wellaide Cecim), o depoimento dela em relação a esse fato da pessoa ficar exaurida, na opinião dela, é como se tivessem sugado as energias vitais e, em consequência, o enfraquecimento.

Em sua opinião e da equipe, haveria a possibilidade das pessoas que se diziam atingidas, estarem fantasiando histórias devido ao clima do medo intenso na região, de modo que elas acreditassem nas histórias que contavam, ou realmente algo desconhecido haveria atacado essas pessoas?

Almeida: Essa hipótese não pode ser descartada, porém, em muitas das entrevistas que foram feitas, o nosso sentimento é de que aquela pessoa estava realmente dizendo a verdade, independente do medo e do pavor.

Suboficial Almeida, alguns programas de TV que abordaram o assunto da operação, foram produzidos no decorrer dos últimos anos. Podemos citar um extinto programa da Rede Globo chamado Linha Direta e, outro estrangeiro, do canal History Channel. O senhor chegou a assistir alguns desses documentários?

Almeida: Talvez o da Globo (Linha Direta exibido no ano de 2005) eu tenha assistido rapidamente.

E o que ali foi mostrado corresponde à realidade vivida pelos militares na região? Quais as principais diferenças que o senhor notou?

Almeida: Muita fantasia, muita distorção.

Em que ponto exatamente o assunto foi distorcido?

Almeida: Olha, eles transformaram em sensacionalismo. Houve realmente o pavor e o medo, porém, não da forma que foi apresentado.

Então, eles apresentaram para mais ou para menos, do que aconteceu de verdade?

Almeida: Muito mais… muito mais.

Suboficial Almeida, foi relatado que durante a presença da equipe militar, alguns agentes do antigo SNI estariam presentes num desses dias e um objeto luminoso em forma de disco a não mais que 150m de altura teria aparecido sobre essa equipe. O senhor estava presente neste dia? Caso positivo, poderia descrever esse objeto?

Almeida: Olha, em princípio eu desconheço a presença de outros agentes além dessa equipe que eu fazia parte. Então eu não posso fazer comentário nenhum daquilo que desconheço.

Mas, durante a operação, além da equipe militar, houve a presença de conhecidos, ou amigos, que foram por curiosidade, ou convidados por algum membro da equipe?

Almeida: Não. Essa missão em princípio era sigilosa e, portanto, não comportava, não seriam permitidos convidados em hipótese alguma, seja familiar, amigos ou de outro tipo.

Suboficial Almeida, houve o relato de um jovem, chamado Luiz Pereira Rodrigues, que trabalhava em uma olaria na região de Ananindeua, e nesse evento ele estava caçando em cima de uma árvore, e um objeto voador teria sobrevoado o local onde ele estava, e dessa forma ele se jogou e fugiu do objeto, e ele pôde observar um ser, ou um humanoide, ou uma pessoa, ou um indivíduo, descendo desse objeto. O senhor chegou a tomar conhecimento desse caso?

Almeida: Não, eu não tomei conhecimento.

Nas proximidades dessa olaria, na qual trabalhava esse jovem, foi relatado um evento em que uma equipe militar estava fazendo uma vigília num rio, e foi possível observar um objeto de cerca de 100 (cem) metros de comprimento, que se posicionou na margem oposta do Rio Guajará, na posição vertical, e que depois de um tempo ascendeu ao espaço. O senhor teve conhecimento desse fato?

Almeida: Também não. Não tive conhecimento, nem presenciei.

Por que a Operação Prato foi encerrada?

Almeida: Quando eu me retirei no dia 18 (dez/77), foi o último dia da (minha) participação, eu havia sido transferido para Santa Maria, no Rio Grande do Sul, pra Base Aérea de Santa Maria, e eu perdi o contato com o desfecho de tudo isso. Portanto, eu não estou em condições de responder com precisão a essa pergunta.

E qual a sua opinião ou conclusão sobre a natureza dos fenômenos observados no Pará?

Almeida: Talvez pela minha tendência a conhecer esse aspecto da vivência humana, eu não tive muita surpresa com esse fato. Eu considerei um fato normal, numa oportunidade que talvez tenha sido de ambas as partes do planeta… da humanidade nossa aqui do planeta Terra, com seres extraterrestres.

Essa missão foi uma experiência marcante na sua vida?

Almeida: Foi, de certa forma, foi. Não foi retumbante, porque eu considerei um fato normal.

O senhor já havia sido procurado antes para falar sobre a Operação Prato? Por quem?

Almeida: Já. Pesquisadores que souberam (sobre mim), não sei de que forma, talvez pelo fato de eu ter servido na época em Belém. Só que como na época havia uma restrição do comentário sobre a missão, que era reservado, eu me recusei a me pronunciar de toda e qualquer forma.

Suboficial Almeida, o senhor poderia fazer suas considerações finais sobre a Operação Prato?

Almeida: Olha,… foi esclarecedora. Foi uma missão oficial do Comando na época, e foi uma grande experiência.

Nota: A entrevista acima transcrita foi consolidada a partir de duas entrevistas concedidas pelo Suboficial Moacir Neves de Almeida nos dias: 15/02/2018 e 08/03/2018.

ANÁLISE DO CONTEÚDO APRESENTADO

A entrevista gentilmente concedida pelo Suboficial Almeida, codinome “Luciano”, fornece importantes informações sobre a investigação levada a cabo pelos agentes da 2ª Seção, no auge do período da fenomenologia OVNI em Colares e região. Como depoimento de um protagonista direto, tem a vantagem de esclarecer pontos até hoje nebulosos ou contraditórios, principalmente quando confrontada a entrevista com declarações tardias de personagens que vivenciaram diretamente aqueles eventos em 1977, bem como, afirmações de personagens recentes que não são mencionados nos registros militares e cujas afirmações não estão amparadas nesses registros ou na própria e histórica entrevista do Coronel Hollanda.

Algumas colocações de Almeida são simples, mas definitivas para se eliminar certas afirmações de algumas narrativas que propagam informações inverídicas até hoje.

Composição da equipe da FAB

Uma importante contribuição da entrevista do Suboficial Almeida, se tratou de esclarecer importantes aspectos envolvendo a composição da equipe da Aeronáutica que participou da Operação Prato.

A partir das informações das quais dispúnhamos até pouco tempo atrás a respeito da operação, a partir de uma leitura fria dos relatórios oficiais, concluíamos por exemplo que provavelmente entre os dias 23 e 24 de outubro de 1977, uma equipe militar formada pelos sargentos “Ernesto”, “Luciano” e “Gualter”, havia sido substituída por uma segunda equipe, formada pelos sargentos “Flávio Costa”, “Almeida” e “Pinto”.

Conforme pode ser verificado no artigo que publicamos no dia 30 de julho de 2017, o denominado Sargento “Ernesto” na verdade se tratava do codinome do Sargento Flávio Costa. O Suboficial Almeida, ao ter nos revelado que “Luciano” era seu codinome, esclareceu a real identidade de outro dos nomes presentes nos relatórios oficiais da FAB, o que nos leva a crer por exemplo que não houve uma troca de equipe, de maneira que o que ocorreu foi simplesmente que num dos relatórios eles utilizaram seus nomes reais e, no outro, seus codinomes.

Partindo dessa lógica, também é possível supor que o denominado “Sargento Gualter”, na verdade se trata do “Sargento Pinto”, cuja identidade real já foi identificada, se tratando do Sr. Álvaro Pinto dos Santos, já falecido. Entretanto, salientamos que apesar das altas probabilidades, é prudente que tal hipótese seja validada através de outros meios.

Na época, o então Segundo Sargento Almeida, participou da 1ª missão da Operação Prato, que teve uma duração total de 21 dias. Essa missão foi dividida em dois períodos, o primeiro iniciou-se no dia 20/10/77 e foi até 27/10. Nesse último dia, então, a equipe retornou ao I COMAR, voltando à Colares apenas no dia 29 e, perdurando até o dia 10/11/1977.

As informações trazidas pelo Suboficial Almeida também são úteis no sentido de nos corrigir da ideia de que grupos gigantescos de militares e especialistas circularam por Colares e demais localidades afetadas pelo fenômeno. Suas palavras estão em harmonia com os relatórios demonstrando que a equipe era reduzida, de maneira que atualmente, quase todos os seus componentes já foram identificados.

 

Uso de radar

A fonte original que atribui aos militares o uso de radar móvel para detecção dos objetos luminosos vem de declarações da médica da unidade de saúde de Colares, em uma entrevista concedida à Revista UFO em dezembro de 2005: “O radar dos militares era muito potente, apitava freneticamente sempre que ‘Eles’ estavam se aproximando. Tinha noite que eu ia bisbilhotar toda vez que o radar disparava (…)”.

O uso desse hipotético radar continuou reverberando pelas narrativas ao longo dos anos. No livro Ilha de Colares na Amazônia, sobre a Operação Prato, lançado no ano de 2014, uma testemunha alega que havia um radar localizado no farol em frente a Colares.

Almeida é taxativo sobre a questão da existência de um radar na Operação Prato: Não, a localização era visual”. Aliás, o Coronel Hollanda afirmou a mesma coisa.

Uso de Armas

A fonte original seria uma declaração do então prefeito de Vigia em 1977, José Ildone Favacho Soeiro, ao programa Linha Direta da Rede Globo exibido no ano de 2005, onde afirmou que os militares haviam instalado metralhadoras antiaéreas.

Almeida descarta o uso de armas, corroborando novamente com o Coronel Hollanda, que declarou no ano de 1997 que os agentes não portaram armas durante a operação.

Agência estrangeira de inteligência

Nos últimos anos têm surgido vozes em apoio a uma possível presença da CIA, a Agência Central de Inteligência norte-americana, na investigação do fenômeno. Sem entrar no mérito de que adidos militares de outras nações possam ter enviado informes de inteligência a seus países sobre OVNIs no Pará em 1977, não há na documentação oficial ou vazada, referência a agentes estrangeiros em ação conjunta com agentes públicos brasileiros, ou como conselheiros destes durante as missões Prato. O Coronel Hollanda declarou em 1997 que nada sabia sobre o envolvimento de militares dos EUA e agora o Suboficial Almeida confirma essa situação e responde que desconhece se houve a presença de militares ou agentes de inteligência estrangeiros investigando o fenômeno.

Portanto, podemos afirmar que não houve participação estrangeira conjunta, entre nossos militares e agentes da CIA, por exemplo, nas investigações de campo da Operação Prato.

Filmagens

Os filmes produzidos pela Operação Prato são um dos principais itens perseguidos pela comunidade ufológica e, tidos como uma das provas que consolidariam definitivamente a ideia de uma visita extraterrestre ao Pará em 1977, para toda a sociedade brasileira e mundial; seriam as joias da coroa da ufologia nacional. Em apoio a existência dessas películas, temos frames incorporados ao documento oficial do I COMAR Registros de Observações de OVNI, declarações de Hollanda e da filha do brigadeiro Protásio e, o documento vazado pelo site operacaoprato.com, em artigo publicado no dia 30 de julho de 2017, com uma relação de películas produzidas e relacionadas a Operação Prato. Esse documento é a melhor descrição até o momento das filmagens produzidas e foi analisado detalhadamente no artigo que publicamos. O interessante é que ao cruzarmos a entrevista de Almeida com esse documento, se percebe uma corroboração, mesmo que indireta, das datas indicadas das filmagens.

Almeida nos diz que durante a operação só utilizaram máquinas fotográficas e, especificamente sobre filmagens, diz: “Na época, nós não tínhamos filmadora, só teleobjetivas de máquinas fotográficas”. Sobre ter visto alguma filmagem relacionada à Operação Prato, diz: “Não, eu não vi nenhum desses vídeos”. Essas afirmações se coadunam com as datas lançadas no documento vazado que publicamos, vejam descrição abaixo dos cartuchos em Super-8:

  • 1o Cartucho: 27 de janeiro e 18 de fevereiro de 1978. Locais; Ananindeua e Colares.
  • 2o Cartucho: 22 a 26 de fevereiro de 1978. Local: Colares.
  • 3o Cartucho: 28 de fevereiro a 03 de março de 1978: Colares.
  • 4o Cartucho: 9 a 10 de dezembro de 1978, data que no artigo defendemos que tenha sido 9 e 10 de dezembro de 1977, havendo um erro de transcrição da data. Local: Rio Guajará.

Como se pode verificar, de fato não temos registros de filmagens durante o período clássico das duas missões da Operação Prato, que terminou em 05 de dezembro de 1977. A filmagem mais próxima no tempo seria a do quarto cartucho, se a análise que fizemos no artigo de 30 de julho de 2017 estiver correta, que teria ocorrido durante uma operação executada às margens do Rio Guajará, em Ananindeua. De todo modo, a entrevista corrobora que durante a primeira e a segunda missão, não houveram filmagens; Colares surge para películas a partir de fevereiro de 1978.

Como já defendemos no artigo do site, acreditamos que a famosa “Bola de Futebol Americano” de Hollanda está registrada no documento Registros de Observações de OVNI, sob os números 63, 65 e 66, nos quais podemos vislumbrar frames da película produzida.

A entrevista de Almeida indica, subsidiariamente às demais evidências, que não existem propriamente filmagens durante os períodos clássicos das missões Prato, mas sim em períodos posteriores. Como defendemos que os frames de filmagens presentes nos registros 63, 65 e 66 (Rio Guajará – Ananideua), do documento oficial do I COMAR Registros de Observações de OVNI, pertencem ao já referido “4º Cartucho” e, os frames mostrados no registro 89 (Rio Laranjeira – Ananindeua), do mesmo documento, pertencem ao “1º Cartucho”, é de boa atitude para os pesquisadores considerarem como provável que não existam filmagens peremptórias, capazes de encerrar a discussão sobre a origem dos fenômenos no Maranhão e Pará em 1977 e 1978.

Seriam filmagens importantes dentro do caso, sem dúvida, e esperamos que um dia cheguem a público, mas também é importante que, diante das evidências, ainda mais agora com Almeida, que os pesquisadores entendam que já não há mais um pano negro sobre o assunto, e que podemos ver imagens reais de eventos notáveis da Operação Prato, que nos permitem entender um pouco mais sobre a dinâmica das filmagens feitas durante alguns eventos.

As luzes e os humanóides

Esse talvez seja o núcleo mais importante da entrevista. O Suboficial Almeida é categórico em afirmar que as observações eram de eventos puramente luminosos e que não foram observadas estruturas metálicas. Diz Almeida: “Várias (“luzes”), apesar de que todas elas eram parecidas, ou talvez até idênticas. Era uma “luz”, (que) quando ela estava mais próxima, dava perfeitamente pra se perceber que ela tinha um formato de um “prato”. (De) algumas delas, saíam luzes menores e, (em relação a) algumas (outras), elas se apresentavam e, logo depois sumiam, com uma velocidade que não dá pra ser explicada nem calculada.”.

Portanto, Almeida confirma o que os documentos registram, ou seja, que as equipes da 2a Seção sempre viram apenas luzes, fenômenos luminosos, inexplicáveis claro, mas que nunca puderam identificar uma estrutura sólida, metálica, ou que evidenciasse uma construção material. É notável como uma equipe que ficou por tanto tempo no palco principal das observações não tenha observado naves como de alguns depoimentos de civis que descreveram verdadeiras estruturas em disco ou tambor, reluzindo o metal inclusive.

Notável também que Almeida confirme que não foi observado qualquer ser humanóide pelas equipes. Ele diz o seguinte sobre a questão de uma presença humanóide associada ao fenômeno: “Não tenho conhecimento; eu acredito que não.”. O raciocínio anterior é válido aqui também: tantas observações e os militares não viram humanoides? Por que civis viram? em raras ocasiões, diga-se. Será que os militares, por sua formação profissional, estiveram menos sujeitos a constructos, enquanto uma população assustada estaria mais sujeita? Não se pode descartar essa hipótese.

É importante destacar a opinião pessoal do suboficial Almeida. Ele diz: “Eu acredito que sejam naves de outros planetas, de outra dimensão.”. Perguntado sobre os motivos para tal afirmação, Almeida declara: “A única característica, ou o que me leva a pensar dessa forma, é que seria muita pretensão nossa achar que somos os únicos a habitar o Universo.”. Complementando suas opiniões disse: “Olha, o comportamento deles, as manobras, a velocidade, elas fogem das nossas concepções técnicas, principalmente na época.”.

A opinião de tão importante investigador dos fenômenos da Operação Prato sempre será relevante. Almeida apresenta uma visão tranquila e serena sobre aqueles eventos. Em contraste aos militares Flávio Costa e Hollanda, homens que ficaram profundamente marcados pelos eventos, que os levaram a se envolver com a investigação do fenômeno e sua divulgação, tanto de documentos como da história da operação em si, com transtornos inclusive de ordem pessoal, Almeida nos presenteia com uma declaração benfazeja:

Pergunta: “Essa missão foi uma experiência marcante na sua vida?

Almeida: Foi, de certa forma, foi. Não foi retumbante, porque eu considerei um fato normal.”

Os raios e os queimados

O conhecimento da Operação Prato que detém o Suboficial Almeida é de extrema relevância. E não deve ser relativizado, como eventualmente acontece quando surgem novas informações que não confirmam certas expectativas. Mas o depoimento aqui está; não será apagado.

Almeida responde a uma de nossas perguntas com bastante firmeza. Indagado sobre se as pessoas que se diziam atacadas poderiam estar fantasiando ele declara que: “Essa hipótese não pode ser descartada, porém, em muitas das entrevistas que foram feitas, o nosso sentimento é de que aquela pessoa estava realmente dizendo a verdade, independente do medo e do pavor.”.

O entrevistado é de opinião que muitas das pessoas que se diziam atacadas estavam sendo sinceras em seus depoimentos, mas ao mesmo tempo ele também é firme ao responder sobre uma das mais polêmicas fenomenologias da Operação Prato: os queimados e vampirizados. Almeida diz ao ser questionado:

Pergunta: Durante o contato com as pessoas que se diziam atingidas por um “feixe luminoso”, o senhor viu algum ferimento nessas pessoas?

Almeida: Não, na época eu não constatei ferimento nenhum.

Pergunta: Mas chegou a entrevistar alguma pessoa que se disse atacada?

Almeida: Várias.

Pergunta: E elas mostravam algum tipo de marca?

Almeida: Não. Na época, não.

Essas declarações são nucleares para a questão dos queimados e vampirizados. Elas se somam ao documento vazado pelo site operacaoprato.com em 17 de junho de 2017, o Relatório Médico-Psiquiatra da missão Prato que juntamente com a entrevista histórica do Tenente-Coronel médico da reserva da FAB, Pedro Ernesto Póvoa, um dos signatários desse relatório, descartou a presença de queimaduras e vampirismo.

Muitos membros da comunidade ufológica relativizaram o depoimento, alegando que os médicos estiveram por muito pouco tempo na região, dois dias, tempo que teria sido insuficiente para observar vitimas das queimaduras. Nós mesmos alertamos em nosso artigo esse fato, mas não relativizamos o relatório e frisamos a importância dele, afirmando “que devemos reavaliar a ideia atualmente vigente de que uma enorme quantidade de vítimas permaneceu com sequelas de graves queimaduras após os supostos ataques (…)”.

Não menos importante para se entender a dinâmica que levou a história dos raios, dos queimados e dos vampirizados, a se tornar uma febre entre a comunidade ufológica, além das declarações tardias da médica da unidade de saúde de Colares e incorporadas na entrevista de Hollanda, foi o impacto dos seguidos programas televisivos que exploraram teatralmente os eventos da Operação Prato. Almeida é taxativo sobre o programa Linha Direta da Rede Globo em 2005: “Muita fantasia, muita distorção.”.

E complementa: “Olha, eles transformaram em sensacionalismo. Houve realmente o pavor e o medo, porém, não da forma que foi apresentado.”.

Por fim, essa histórica entrevista se soma aos mais recentes documentos e outras entrevistas divulgadas pela nossa equipe a partir de 2017, que tem trazido à luz, importantes e fundamentais informações sobre a Operação Prato. Cabe ressaltar que todas essas novas informações que trouxemos ao público estão em harmonia com a documentação histórica anteriormente liberada ou vazada e, com uma linha de tempo e evidências coerentes.

Autores do artigo: P.A. Ferreira, Raphael Pinho, Luiz Fernando, Hélio A. R. Aniceto e M.A. Farias.